Como surgiu a SERTE
A inauguração do "Ranchinho"
26 de Dezembro 1956
Nesse memorável dia foi inaugurado o “Ranchinho dos trabalhadores do espaço”, assim chamado por estar situado nos fundos de uma residência, à Rua Monsenhor Topp, nº 24, numa edícula, de 2,60 m de frente por 2,80 m de fundos. Mais tarde, passamos a ocupar toda extensão da residência, onde passamos a ministrar palestras, passes, e atendimento ao pequeno público que nos visitava. Ali, sete pessoas de boa vontade reuniram-se com a finalidade de comemorar, com uma prece, o aniversário natalício de Demóstenes, orientador espiritual do Grupo. Entretanto, quis o destino reservar esta data para fixar o marco indestrutível da existência da SERTE. Até então apenas participávamos, algumas vezes, de “sessões de copinho”, como diríamos, sem outra finalidade além do interesse de manter intercâmbio com parentes e amigos que já haviam deixado a veste carnal. Não podemos esquecer que, com exceção de dois elementos, os demais componentes eram novatos no conhecimento da Doutrina Espírita. Três meses somente se passaram do primeiro contato com os entes desencarnados, ocasião em que Nelito, entusiasmado em face de certos acontecimentos, porém cauteloso e um tanto cético, tentou o manuseio do “copinho”. Usando de bastante franqueza, dizemos mesmo que, naquela primeira sessão improvisada, apenas foi possível distinguir-se, ao juntarmos as letras apontadas pelo espírito comunicante, a seguinte frase: “NELITO, AUXÍLIO NA ILHA”. Como é de se julgar, pensamos estar sendo vítimas de mistificação e que nos faltavam condições para o desejado contato com os entes queridos. Hoje, compreendemos perfeitamente a razão da dificuldade nesse intercâmbio e bem sabemos qual o significado das palavras “Nelito, auxílio na ilha”. Construímos o “Ranchinho” para servir de local de nossas reuniões de “copinho”, que até então eram realizadas ora nas salas, ora nos quartos, por falta de ambiente melhor. Como não tínhamos a menor intenção de constituir um grupo que servisse ao público, expusemos nas paredes do “Ranchinho” a fotografia de quase todos os espíritos amigos e familiares que conosco se comunicavam nas inesquecíveis tertúlias; no centro, mais ao alto, colocamos uma bela imagem de Jesus Cristo; pouco abaixo, a de Allan Kardec ladeada pelos espíritos Ramatis e Emmanuel. Para essa primeira reunião no “Ranchinho” convidamos duas médiuns, pois sempre ansiávamos por obter manifestações através da psicofonia (incorporação). De fato, a ocasião foi propícia e muito nos regozijamos com as mensagens recebidas. A seguir, transcreveremos algumas, começando com a de um espírito familiar muito querido e que tem o seu valor histórico para o grupo, por ter iniciado o rosário de outras tantas, instrutivas e emocionantes. “Que felicidade. Agradeço a Deus e ao Mestre a felicidade que me deu neste momento, permitindo que eu viesse falar com vocês, meus queridos. Agradeço ao nosso Pai a permissão que deu a meu filho Demóstenes para poder reunir-nos neste ambiente sagrado.•Nelito querido, toma a sério tua missão. Desejo a todos os meus filhos, os meus queridos, a maior felicidade nesse mundo. Muita paz, saúde e alegria. Estou feliz!•Muitos querem falar. Fico aqui no ambiente, mas vou retirar-me do aparelho.•Que a luz sacrossanta de Jesus ilumine cada vez mais o espíritos de todos vocês, meus queridos. Adeus”. Nola”
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Ainda não tínhamos despertado do êxtase que nos trouxe essa pequena, porém preciosa comunicação, quando a médium C., incorporada, levanta-se e se dirige ao irmão Nelito, fazendo-o sentar-se de costas para ela e, com as mãos sobre a sua cabeça, assim se manifestou: “Concentração! Teu espírito entra em comunhão de pensamento com Demóstenes e que bem traduzas a sua luz e o seu amor. A dúvida se afaste do teu espírito e a fé, a confiança, seja o eco da palavra divina. “Concentração! Teu espírito entra em comunhão de pensamento com Demóstenes e que bem traduzas a sua luz e o seu amor. A dúvida se afaste do teu espírito e a fé, a confiança, seja o eco da palavra divina.“Concentração! Desliguem a música....o aparelho, no momento é o nosso irmão Nelito que vai captar o pensamento (deu passes sobre a cabeça de Nelito). Vibra no Senhor. Deixa o teu aparelho apto; entrega-o à manifestação espiritual. Não tenhas receio, vem amigo. Nosso irmão que se concentre bem, que deixe o seu aparelho livre de dúvida. Esta é a grande noite, esta é a comemoração festiva. Entrega a tua mente sã. Confiança! Fé! Estamos tentando sanear a mente de nosso irmão. Outra ocasião, então, em que ele tiver mais confiança em si e em nós, receberá a mensagem prometida” Perguntamos se era um dos nossos familiares e a resposta foi: – Para que? Basta ser um mensageiro do Senhor, porque quase todos os familiares aqui estão presentes, felizes pelas preces que lhes dedicastes, contentes por verificarem que os entes que aí deixaram trilham o caminho certo. Todos reunidos pedem amor, caridade, compreensão, confiança em si próprios e, confiança neles que até brincam com coisas vãs. As flores que foram cuidadosamente colocadas num ramalhete tornaram-se maiores pela prece e pelo desejo de felicitar espiritualmente a quem se quer tanto bem. Tudo o que aqui se tem feito, todos os que trabalharam, também estão trabalhando para o ranchinho alegre do além. Que fique em vossos corações a paz do Senhor! O agradecimento de todos que sentiram as vossas vibrações. Todos formam um grande elo de compreensão, de paz e de luz. Amai-os como eles vos amam. Que a luz do Mestre vos ampare e proteja! Todos os que estão representados nessas fotografias agradecem comovidos o esforço, a dedicação de nosso irmão Nelito e de seus cooperadores. Terminemos a nossa grande reunião de hoje. Que as flores que aqui se encontram, desçam dos céus em bênçãos de paz, de luz e amor”.
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Concentramo-nos para agradecimento durante alguns minutos, enquanto um bem estar intraduzível banhava os presentes, transformando o ambiente num verdadeiro oásis de bençãos celestiais. Jamais poderemos esquecer a maravilhosa sensação, o prazer indefinível, produzido pela descarga dos fluídos elevados em nosso organismo. Voltamos ao “copinho” e, por meio desse rudimentar sistema, obtivemos a palavra de vários espíritos que se regozijavam conosco pela grandiosa noitada espiritual. Transcreveremos apenas mais duas mensagens: “Meus irmãos, eu estou presente e quero dar a minha palavra de amor pelo que me foi dado observar. Não é a primeira vez que aqui venho, e desejo meus amigos, que procurem evoluir, deixando aos poucos o trabalho do copo giratório, para procurarem seguir o caminho que, embora não seja o mais fácil, é o que realmente mais produz. Não devemos ficar no princípio e sim seguir para frente. Neste recinto, preparado com toda a elevação de pensamentos, encontrei aquilo de que ando em busca. Peço que, com a continuação, procurem não só na psicografia, como também nos trabalhos de outro teor, o que estão procurando. O manejo do copo não é para nós cansativo (resposta a uma pergunta), mas para vocês outros torna-se deveras incômodo, e com tanto esforço, nem sempre podem conseguir aquilo que esperam. Para frente meus irmãos! A mediunidade está convidando a deixar de lado a dúvida e a prosseguir na caminhada para o alto. Procurem treinar, mesmo sem grande preparo e ambiente adequado, pois aqui neste recinto poderão muitas coisas conseguir. Basta que encarem os trabalhos com um grau de espiritualidade, deixando de lado um pouco das brincadeiras para que consigam assim melhores resultados. Depois do que foi dito, com a devida preparação do recinto,poderão muito conseguir e seria uma pena que ficassem somente nos trabalhos iniciáticos. Levantem o ânimo para o progresso na doutrina do Mestre e Ele, o Mestre dos Mestres, precisa de obreiros para a sua grandiosa doutrina. Minha irmã sente e tem muita facilidade de ler o meu pensamento, (referindo-se a uma das médiuns que estava usando o “copinho”) e, com esforço, tornarão essa cadeia de idéias um verdadeiro progresso). Fé e muito amor. Eu estarei com vocês sempre que seus pensamentos vibrarem em grau de elevação para a presença de meu espírito. Paz e luz." Um amigo”
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Demóstenes apresentou-se ligeiramente com as palavras: “Receberam a presença de um grande amigo, daqueles que buscam a verdade. Tenho a trazer outro amigo.” Nova entidade se manifesta: “Estão preparados para receberem as luzes da verdade e, com o auxílio de mensageiros, pude eu distinguir onde devia encontrar-vos. Meus amigos, a graça do Pai Divino está e sempre estará com aqueles que O procuram. Eu enviei mensageiros, como sempre faço, e desejo dizer que não é esta a primeira vez que aqui venho. Hoje lançamos hosanas de luzes e de amor em vossos corações. Quando se encontra o caminho aberto, iremos buscando nos espíritos de boa vontade aquilo de que muito necessitamos para a obra divina. Lendo e compreendendo, muito alcançaremos no progresso produtivo e, ao tentar falar, expressando como desejava, meu pensamento, sinto que suas forças já se esgotam, mas repito o que foi dito pelo espírito que me precedeu: - Não fiqueis somente no manejo do copo, pois o Mestre determinou que meu irmão presente tem que dar início à sua missão, escolhida quando no espaço. Procurai não fazer comentário, por hora, com referência às nossas visitas e, seguindo os nossos conselhos, brevemente estareis e estarás, Nelito, em particular, aptos a grandes realizações. Nelito, deixa de lado a brincadeira, quando te utilizares o copo, a não ser quando certeza tenhas de que se trata de espíritos conhecidos e amigos. Entretanto procura aperfeiçoar-te na psicografia e na concentração para o manejo da escrita mecânica e também para receberes com desprendimento os espíritos que desejam de ti se utilizarem. Palavras de amigo e irmão. Que a luz divina espalhada no ambiente, em focos grandiosos, sejam em benefício de vossas faculdades mediúnicas em estado preparativo para a recepção. Que o Pai, Deus Nosso Criador, e Jesus, o Mestre Divino, na data de comemoração ao seu nascimento na gruta de Belém, lancem sobre vós as bênçãos que eu peço. R.”
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Após breve manifestação de outros amigos do plano extraterreno, terminou a memorável reunião, em que nossos espíritos vibraram de alegria e amor, comungando com eles em pensamento e amor. Para nós, meros principiantes no trato com as forças do além, valeu-nos como um grandioso incentivo para o prosseguimento de nossos trabalhos, que desde então passaram a ter um cunho mais produtivo. Até aí, restringiam-se às comunicações com os espíritos de nossos parentes e amigos, exclusivamente por intermédio do manejo do “copinho” . A SERTE estava plantada. daí para frente foi trabalho contínuo e persistente, porém valeu a pena. em breve, o lema surgiu e permanece até hoje:
Um só nada faz, é o conjunto que opera.
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